Covid-19

Movimento das Casas de repouso

Asilos de Curitiba se unem para pedir mais EPI’s, testes rápidos do coronavirus e vacinação presencial do H1N1

 

Setor busca chamar a atenção do poder público e da sociedade para as dificuldades em que as casas de repouso estão inseridas, após morte confirmada por COVID-19 em lar de Curitiba. As Instituições de Longa Permanência (ILPI’s) de Curitiba assinam esse posicionamento para atrair uma atenção maior e necessária dos poderes públicos e da sociedade perante a epidemia do COVID-19 no Brasil. Como já reportado à exaustão os idosos são o principal grupo de risco da doença e o país passa, nesse momento, por um crescimento expressivo do contágio das vítimas fatais relacionadas ao novo coronavirus. Ontem foi registrada a primeira morte de um idoso que estava hospedado em uma casa de repouso em Curitiba. Além disso, 13 pessoas, entre funcionários e hóspedes, foram contaminados com a doença. Mas antes de acusar as instituições de negligência, é preciso enxergar as dificuldades em que as ILPI’s estão inseridas. “Acompanhamos a sinalização do governo federal de um auxílio financeiro para os lares, mas apenas isso não é suficiente”, explica Paula Gomes Loyola, especialista em gestão geriátrica e diretora da SeniorOnline, que lidera esse movimento. “Acompanhamos trágicas fatalidades na Espanha, Estados Unidos e Itália, em que casas de repouso foram dizimadas pelo contágio do Covid-19. Não podemos deixar que isso aconteça no Brasil”, afirma Paula. “Precisamos de uma atenção maior e mais efetiva do executivo federal e também nas esferas estaduais e municipais”.

O setor faz três pedidos principais:

Os profissionais que diariamente convivem com os idosos nas casas de repouso precisam de mais EPIs (equipamentos de proteção individual); luvas, máscaras e álcool gel 70% já se tornaram escassos em diversas partes do Brasil, conforme noticiam os principais portais de notícias e o pedido é a garantia do fornecimento desses produtos para as instituições;

  • não adianta disponibilizar verba se não há EPI disponível para compra;
  • a disponibilização de testes rápidos de coronavírus, pois são de extrema importância para detectar precocemente a doença em funcionários e nos idosos no dia a dia;
  • por último, um mutirão de vacinação presencial, dentro dos lares, contra o vírus H1N1 para todos que convivem nesse ambiente – profissionais e hóspedes – evitando o deslocamento desnecessário.

São pedidos de resolução complexa, mas extremamente necessários no momento em que vivemos. A tendência é que, paralelamente a isso, acompanhemos o crescimento da procura por asilos justamente pelo fato de haver idosos que precisam de cuidados diários e não podem ficar em isolamento das pessoas. Assim, uma moradia com segurança e capacidade de atender as necessidades desses indivíduos começa pela assepsia realizada da forma adequada contra o coronavírus.

Agora é a hora dos poderes públicos em parcerias com as instituições trabalharem em conjunto pelo bem do povo, pelo bem dos idosos, para que essa situação acabe o quanto antes – e com o menor número de vitimas possível. É necessário, também, proteger as casas de repouso, que podem ter sua credibilidade destruída e sua empresa prejudicada em caso de divulgações irresponsáveis e sensacionalistas.

Aderiram a este posicionamento as seguintes Instituições de Curitiba:

 

Nossa Casa Para Idosos
Kairos
Casa de Repouso Del Veiga
Bem Viver Assistência ao Idoso
Nosso Lar
Lar Santa Anna
Árvore da vida
Nova Cannã
Casa de Repouso Dona Rosa
Resplandecer
Murano
Luz Divina
Caminho do Senhor
Centro de amor Regina Cipriano
Hebron
Velha Infancia
Premier
Serena
Arte e Cuidar
Casa di Beta
Lar de Maria
Esplendido
Florença
Seniors Home

 

Textos & Artigos

 

Coronavírus:

Demanda por casas de repouso deve aumentar com alta hospitalar de idosos.

Sistema de saúde dará prioridade aos leitos para pessoas diagnosticadas com o Covid-19, fazendo com que procura por casas de repouso aumente, como já acontece em Portugal; Curitiba tem cerca de 268 mil sexagenários, de acordo com os dados mais recente da Prefeitura. Em meio a uma pandemia do COVID-19, o novo coronavírus, um importante dado chama a atenção: o número de idosos que receberão alta dos hospitais, para abrir espaço aos casos mais graves nos leitos. Essa ação deve gerar duas consequências importantes: um aumento da demanda por casas de repouso e a necessidade imediata de EPIs (equipamentos de proteção individual) para os trabalhadores desses locais, a fim de assegurar a assepsia durante o período de proliferação do vírus.

Curitiba é uma das cidades com mais sexagenários no Brasil: segundo o levantamento mais recente da Prefeitura, em 2017, existem cerca de 268 mil residindo só na capital paranaense, sem considerar a região metropolitana. Para Paula Gomes, especialista em Gestão Geriátrica e fundadora da SeniorOnline – plataforma gratuita para pesquisa de casas de repouso em Curitiba -, o número chama a atenção para a demanda que será exigida das casas de repouso nesse período. “Há dois tipos de perfis de pessoas mais velhas que devem receber atenção especial: o saudável e independente, que está em casa, mas sofre do processo natural de envelhecimento e diminuição da capacidade do sistema imunológico”, avalia. “E um outro, mais velho, com problemas cardiovasculares, diabetes e doenças respiratórias que podem agravar rapidamente o seu caso. Essas pessoas precisam de atenção redobrada”. Na avaliação da especialista, o idoso hoje hospitalizado por decorrência de alguma dessas doenças, terá alta na maioria dos casos, pois o sistema de saúde se dedicará ao tratamento das diagnosticadas com o coronavírus. O problema é que eles também não podem ir para um lar normal, justamente por falta de independência ou fragilidade de serem expostas ao vírus por familiares. “Esse movimento já acontece em Portugal e, em breve, acontecerá no Brasil: as famílias terão que recorrer às Instituições de Longa Permanência (ILPIs), ou casas de repouso, para que esse idoso receba um atendimento mais técnico”, diz Paula. “Neste momento, a Prefeitura de Curitiba está fazendo uma sondagem com todas os lares, para saber a capacidade, o perfil de atendimento de cada lar e se há vagas disponíveis”. Todos esses locais também estão recebendo da Prefeitura e do Conselho Municipal da Pessoa Idosa orientações e boas práticas para evitar um contágio de coronavírus. Paula alerta, no entanto, à necessidade urgente de fornecimento de EPIs (equipamentos de proteção individual) para a realização da assepsia adequada nas casas de repouso. “É papel do governo federal assegurar que tenhamos o que é necessário à disposição”, diz. No caso dos idosos saudáveis, o aconselhamento é que ele fique em total isolamento social. Se precisar de algo, a família deve fazer as compras em casa e esterilizar tudo que lhe for entregue, evitando assim qualquer tipo de interação com o mundo exterior. “Até as questões financeiras devem ser resolvidas de casa ou através dessa rede de apoio familiar. Eles não podem circular, pois são muito vulneráveis”.

Como evitar a transmissão de novo coronavírus em casas de repouso?

Ainda que possuam um espaço maior de isolamento, lares devem redobrar medidas de limpeza de ambientes e funcionários


Lavar bem as mãos, utilizar álcool em geral e manter uma distância segura de outras pessoas são algumas das principais recomendações para evitar a transmissão do novo Covid-19. Por outro lado, quando se trata da população idosa, esses cuidados devem ser redobrados, e é o que as casas de repouso estão fazendo. Isso porque as instituições querem evitar que aconteça o mesmo que na Europa, em que dezenas de idosos foram encontrados mortos em asilos da Espanha e França. Por isso, medidas como a higienização de ambientes, de funcionários e até mesmo o controle de visitas de familiares, estão ainda mais rígidos.

Ambiente

Em relação ao ambiente, a principal recomendação é manter os locais sempre abertos e arejados para que o ar circule. A tradicional limpeza com álcool 70% deve ser feita a cada duas horas em todas as superfícies, sem esquecer de corrimões, maçanetas, interfones, telefones e cadeiras. Além disso, os espaços externos podem ser grandes aliados nesse período, já que permitem uma separação maior entre os idosos.

Equipe e circulação geral

Neste caso, as medidas são ainda mais rigorosas. A entrada de fornecedores deve ser controlada, assim como de familiares e cuidadores particulares. Festas, eventos e outras atividades interativas como fisioterapia ou arteterapia devem ser canceladas temporariamente. Também vale lembrar da limpeza diária dos uniformes, já que as roupas podem ser potenciais transmissores de vírus. Em relação aos funcionários, a higiene pessoal é fundamental: lavagem das mãos, uso de álcool gel e outros equipamento como luvas, máscaras, aventais e gorro são indispensáveis, assim como a higienização de aparelhos celulares. Além disso, se possível, é importante que o transporte público seja evitado.

Atendimento aos idosos

É importante ressaltar que, ainda que sejam necessárias, o isolamento pode ocasionar em quadros de tristeza para os idosos. Por isso, antes que qualquer medida seja tomada, é preciso explicar a situação. Para estes casos, a dica é realizar chamadas de vídeos com os familiares, assim como atividades de lazer, com filmes, pipocas e passeios no jardim, são algumas alternativas para atenuar o sofrimento e levar alegria.