Coronavírus: demanda por casas de repouso deve aumentar com alta hospitalar de idosos

Coronavírus: demanda por casas de repouso deve aumentar com alta hospitalar de idosos
21 de março de 2020 Senior Online

Sistema de saúde dará prioridade aos leitos para pessoas diagnosticadas com o Covid-19, fazendo com que procura por casas de repouso aumente, como já acontece em Portugal; Curitiba tem cerca de 268 mil sexagenários, de acordo com os dados mais recentes da Prefeitura

 

Em meio a uma pandemia do COVID-19, o novo coronavírus, um importante dado chama a atenção: o número de idosos que receberão alta dos hospitais, para abrir espaço aos casos mais graves nos leitos. Essa ação deve gerar duas consequências importantes: um aumento da demanda por casas de repouso e a necessidade imediata de EPIs (equipamentos de proteção individual) para os trabalhadores desses locais, a fim de assegurar a assepsia durante o período de proliferação do vírus.

 

Curitiba é uma das cidades com mais sexagenários no Brasil: segundo o levantamento mais recente da Prefeitura, em 2017, existem cerca de 268 mil residindo só na capital paranaense, sem considerar a região metropolitana. Para Paula Gomes, especialista em Gestão Geriátrica e fundadora da SeniorOnline – plataforma gratuita para pesquisa de casas de repouso em Curitiba -, o número chama a atenção para a demanda que será exigida das casas de repouso nesse período.

 

“Há dois tipos de perfis de pessoas mais velhas que devem receber atenção especial: o saudável e independente, que está em casa, mas sofre do processo natural de envelhecimento e diminuição da capacidade do sistema imunológico”, avalia. “E um outro, mais velho, com problemas cardiovasculares, diabetes e doenças respiratórias que podem agravar rapidamente o seu caso. Essas pessoas precisam de atenção redobrada”.

 

Na avaliação da especialista, o idoso hoje hospitalizado por decorrência de alguma dessas doenças, terá alta na maioria dos casos, pois o sistema de saúde se dedicará ao tratamento das diagnosticadas com o coronavírus. O problema é que eles também não podem ir para um lar normal, justamente por falta de independência ou fragilidade de serem expostas ao vírus por familiares.

 

“Esse movimento já acontece em Portugal e, em breve, acontecerá no Brasil: as famílias terão que recorrer às Instituições de Longa Permanência (ILPIs), ou casas de repouso, para que esse idoso receba um atendimento mais técnico”, diz Paula. “Neste momento, a Prefeitura de Curitiba está fazendo uma sondagem com todas os lares, para saber a capacidade, o perfil de atendimento de cada lar e se há vagas disponíveis”. 

 

Todos esses locais também estão recebendo da Prefeitura e do Conselho Municipal da Pessoa Idosa orientações e boas práticas para evitar um contágio de coronavírus. Paula alerta, no entanto, à necessidade urgente de fornecimento de EPIs (equipamentos de proteção individual) para a realização da assepsia adequada nas casas de repouso. “É papel do governo federal assegurar que tenhamos o que é necessário à disposição”, diz.

 

No caso dos idosos saudáveis, o aconselhamento é que ele fique em total isolamento social. Se precisar de algo, a família deve fazer as compras em casa e esterilizar tudo que lhe for entregue, evitando assim qualquer tipo de interação com o mundo exterior. “Até as questões financeiras devem ser resolvidas de casa ou através dessa rede de apoio familiar. Eles não podem circular, pois são muito vulneráveis”, aconselha Paula.

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